É com muito prazer que nós falamos neste post sobre o novo curso de Pós-Graduação da instituição de ensino Opet, sediada em Curitiba no Paraná.
Existem vários cursos e oficinas em histórias em quadrinhos, mas nenhuma referência no campo de graduação ou pós. A Opet, que está há mais de 35 anos no mercado, inovou ao implantar a pós “História em quadrinhos, Ilustração, Publicidade e Cinema“, investindo em profissionais que admiram e querem trabalhar com essa área e, acima de tudo, querem que ela seja levada a sério.
O curso tem duração de 1 ano e mais 6 meses para elaboração do TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) e o corpo docente é formado por doutores, mestres e especialistas do ramo, atuantes no mercado e com vasto conhecimento sobre o assunto.
Essa especialização é mais uma prova de que a profissão de quadrinista é séria e, mais que isso: é promissora. O mercado no Brasil está crescendo e não deve ser subestimado.
Confira abaixo uma entrevista que nós fizemos com o coordenador do curso, Rodrigo Santos, em que ele fala sobre a importância da criação de cursos como esse:
1- Qual a importância de cursos, tanto de Graduação como Pós, mais voltados para o universo de histórias em quadrinhos?
Rodrigo: Destacar a importância cada vez maior do estudo dos quadrinhos. Uma vez que é uma forma comunicacional muito relevante e de fácil compreensão pelo leitor, sua expansão ajudaria muito uma série de áreas como cinema, publicidade, educação de jovens, adultos e ensino à distância. Mas se pensarmos mais abrangentemente, as HQ podem contribuir e facilitar a compreensão de inúmeros elementos da sociedade.
2- Qual é o público que o curso pretende alcançar?
Rodrigo: Pessoas que trabalham com educação, presencial ou à distância, publicitários, ilustradores e cineastas. Além disso, qualquer pessoa que goste, se interesse e queira aprender a desenvolver histórias em quadrinhos.
3- Qual a proposta pedagógica do curso?
Rodrigo: Aulas teóricas com concepções de quadrinhos, tais como sua história, elementos e formas de trabalho, mesclado com aulas práticas de roteiro, desenho, colorização e storyboard
4- Muitas pessoas acham que a profissão de ilustrador ou até mesmo roteirista de gibis não é muito levada a sério. Para você, qual o motivo disso? Você concorda com essa opinião?
R: Discordo. A profissão é tão valorizada que apenas em 2010 (que ainda não acabou) foram mais de 100 álbuns com obras nacionais. Procure as livrarias Cia das Letras, Zarabatana, Ática entre outras. As adaptações literárias também estão em alta, com inúmeros títulos de obras consagradas sendo adaptadas para quadrinhos. Isso sem contar a turma da Mônica, que, apenas em banca, vendem mais de um milhão e meio de exemplares por mês.
5- Qual é o impacto do curso na formação do aluno e no mercado de trabalho?
R: O mercado brasileiro está se ampliando. E muito rapidamente. Há 3, 4 anos atrás, havia poucos álbuns nacionais. Hoje há inúmeros. Com isso, a especialização torna-se necessária, pois com o amadurecimento do mercado, tem que haver um amadurecimento natural dos profissionais que nele trabalham. Aí entra nosso curso.
6- Vários quadrinistas brasileiros buscam o mercado internacional, por que isso acontece? As HQs são valorizadas no Brasil?
R: Acho que isso tem menos a ver com quadrinhos e mais a ver com o mercado leitor nacional. Nos Estados Unidos e na Europa, há uma indústria de quadrinhos. Aqui não há. Mas também há uma indústria de cinema, uma indústria de literatura…
As HQs hoje são tão valorizadas no Brasil que na lista de livros para alunos das escolas públicas há inúmeros quadrinhos, como podemos ver no Diário Oficial da União.
Além disso, as obras têm grandes tiragens e estão expostas com destaque nas livrarias. Isso confirma a seriedade do meio.
As HQs hoje são tão valorizadas no Brasil que na lista de livros para alunos das escolas públicas há inúmeros quadrinhos, como podemos ver no Diário Oficial da União.
Além disso, as obras têm grandes tiragens e estão expostas com destaque nas livrarias. Isso confirma a seriedade do meio.
7- Como você vê esse mercado no Brasil? Ele está crescendo?
R: Em franco crescimento. Até pouco tempo atrás, existiam poucos produtores de quadrinhos que viviam deste tipo de trabalho somente. Hoje são vários. Alguns no mercado interno, alguns na Europa, outros nos EUA. Mas aqueles que se dedicam conseguem sobreviver apenas disso.
8- Alguns dos artistas brasileiros são considerados “underground” por trataram de temas mais adultos em seus HQs, como é o mercado para esses artistas?
R: Ser ou não underground tem menos a ver com a temática e mais a ver com a distribuição. Angeli faz quadrinho adulto. Mas todo dia circula no maior jornal do país. Não é underground.
Clara Gomes faz quadrinhos para crianças, não são adultos. Mas não tem distribuição, faz tudo na internet. Então pode ser considerado underground.
Clara Gomes faz quadrinhos para crianças, não são adultos. Mas não tem distribuição, faz tudo na internet. Então pode ser considerado underground.
9- Como você vê a relação entre o cinema, a publicidade e os quadrinhos?
R: Qualquer filme necessita de um storyboard para deixar de ser uma idéia e virar um filme. Câmeras, elementos de cena, cenografia, entre outros elementos tem que ser vistos antes, ou seja, testados no papel antes.
A publicidade é tão íntima dos quadrinhos quanto o cinema. Quantas publicidades possuem elementos oriundos dos quadrinhos? Além disso, qualquer filme publicitário antes de ser publicitário é um filme.
R: Qualquer filme necessita de um storyboard para deixar de ser uma idéia e virar um filme. Câmeras, elementos de cena, cenografia, entre outros elementos tem que ser vistos antes, ou seja, testados no papel antes.
A publicidade é tão íntima dos quadrinhos quanto o cinema. Quantas publicidades possuem elementos oriundos dos quadrinhos? Além disso, qualquer filme publicitário antes de ser publicitário é um filme.
10- Por que a OPET decidiu investir em um curso voltado para esse universo?
R: Porque a Opet tem uma tradição de inovação. E quando graduei-me mestre em quadrinhos percebi que tinha muito mais gente querendo estudar e desenvolver esse tipo de mídia. Daí foi só uma questão de conversar. A Opet é muito receptiva para novos e desafiadores cursos.
Fica a dica para quem quer se especializar na área e fazer disso a sua profissão!

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